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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Continua...


TODOS SE DIZEM GAÚCHOS
(Botando os pingos nos is, ou dando nome aos bois...)


Sem o "pingo", a bota e a espora; sem os arreios e os apeiros...
Não é cavaleiro!
Sem gado, sem o seu tirador, a adaga, a guaiaca; sem parar rodeio...
Não é boiadeiro!


Nas lides do campo, em campanha é guapo.  Não conhece o fracasso.
Franco é o sorriso, lhano é o abraço.
É ancho, precisa de espaço... duro na queda, taco no tiro,
"cuera" na dança e no laço!
Pode ser peão, capataz, estancieiro.
Branco, índio, caboclo, mestiços... mas há de ser fronteiriço!


Gaúcho não é destino.  É uma escolha.
Um modo vivo de ser...
Não fica enleado no pala, no poncho, no abrigo.  Despreza o perigo.
Pau puro!  Sem a labuta, a luta e o risco, não existe o prazer.
Colhão rajado!  Não é boi-carreiro.  É touro e, por inteiro!
Não é tramposo, não fura o jogo.  Não foge da cancha e do entrevero.


Depois da contenda, não desatina.  Tem os seios da prenda e o regaço da china.
Curte o vinho, o chimarrão e o churrasco.  O quente e o assado...
E nisso não se faz de rogado.  Na hora do aperto, também come o cru!
Pra cobrir o arcabouço?  Bombacha, chapéu e o lenço... no pescoço.
Sem isso está pelado, está nu...


Rica mistura!  Hispano-quechua, guarani-guaicuru, lusitano-charrúa...
Pra ele, tempo é uno.  Não tem dia, nem mês, não tem ano.
Pra junta/separar, curar e marcar o seu gado, "hai" que enfrentar o minuano.
Fronteirense sem fronteira.  É como a rês tresmalheira.
Dono, não é quem a vê por primeiro.  Mas quem lhe ferreteia o traseiro!


Biriba, é tropeiro de mula.  É vivente serrano.
Gaúcho é cavaleiro.  É especial!  No campo não tem rival.  É do plano.
Das coxilhas... na mão de quem vai rumo d'Argentina.
(olhando à direita - de soslaio - os nossos irmãos paraguaios,
Nós e eles, as mais das vezes, "garfados" pelos ingleses)
Seu ritual, seus costumes, os seus pagos?  O Rio Grande, o Uruguai...
O sonho!  Começa mas não termina.. a Província Cisplatina!
"A nação gaúcha"... não vingou.  A irmandade sulina!
Onde o dia é mais longo e mais claro, o luar... onde a grama germina.
O silêncio, o ermo, a imensidão... um mundo sem aflição, sem esquinas!


O gaúcho tem seu lado fraterno - más no lo quieras entiender mi hermano!
Erro na costura?  Despeito ou reação da mistura?
Use o tino.  Lhe chame de guasca e até casca-grossa (talvez isso possa)
Mas nunca de castelhano nem mesmo de correntino!
E é bom que se veja.  É fino no trato, mas fero na peleja.


Gado grande é boiada, gado miúdo é grei...
Não é o maior do mundo, mas nos pampas é o rei!
De usar, de falar, de folgar?  É o jeito, é vero!
Preconceito?
Nem tanto.  Não pense...
Bah, tche!  Se não são todos gaúchos,
de Irai ao Chuí, todos são Riograndenses.
E o forasteiros, se cuidem, pisem de manso...
- sejam maneiros, não sofram vexame.
Em casa de marimbondo, se mexe com um, remexe o enxame!


Carrega consigo, seus petrechos, seus brios e atavios.
O "38", assim como o dono, não mente, não nega fogo.  Ouviu?!
O cano é longo.  Curto é o pavio...
Smith, nagão, carga-dupla, azulado, mira especial.
Podes crer:  - não é "cascata"!  Pro tiro no lobisomen, usa balas de prata.
"No más", tudo em paz.  Palha  e fumo no picuá.. o punhal na cintura.
O mate, a bomba e a cuia, na matula.  No bornal?  Queijo e rapadura.
A capa?  Na garupa.  O rabicho?  No povoado.   O Pingo?  Sempre arreiado.
Gado gordo no pasto.  O pecúlio no banco.  E a família?
TRADICIONAL!




Fausto Corrêa











quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SEM FINS, SEM PRINCÍPIOS, AO ACASO, SEM PRETENSÃO (Trancoso, meu ego e meu alter ego. Afinidades...) "Não conheço ninguém que, como eu tenha tanta noção de ser um homem medíocre, o que desde logo, me torna um homem extraordinário..." (Millor Fernandes)

ACONTECEU...  Era o mês de julho... Chuva fina, de inverno, noturna,
monótona, pingos d'água, gotas serenas... lágrimas soturnas...
De repente, um risco no céu, um clarão acendeu!
Corisco arisco em noite fria de breu...
Raio, chispa, faisca? "mandado, hóspede inesperado?"
Ufa!  Foi um corre-corre, um rebuliço, um lufa-lufa...
Foi uma rabuda.  Praga de Judas?  Jesus nos acuda!
Quebrando o silêncio da noite ou da madrugada,
uma alma penada, perdida, apressada, insurgida...
defenestrada,  Reencarnação agendada?
Gnosticismo?  Momento de crise, de queda ou de ruptura
entre o "criador" e a "criatura"?
E desta, o supremo desprezo pela divindade
e sua vã estrutura!
Falar nisso... na conjuntura:  tu as criastes - dizem -
ao teu porte e estatura?
Ou te fizeram elas, ao sabor, ao feitio, ao uso delas:?  Cautela!
Não cries mais às escuras... "A desgraça do criador é a criatura..."
Que isto posto, não gere ofensa ou desgosto...
Tornando ao real, material, ao concreto, por certo,
apareceu em Ponta Porã o cururu puitã! (*)

Vôte!  Um sapo, um bufo?  Anuros... Tesconjuro.
A lua amuada, aluada, nas trevas'scondida,
bradou pasmada, aturdida:
- Credo em cruz!  Nu e cru na encruzilhada...
É arte do canheta!  Uma peta, uma treta ou uma cilada.
Alguma "coisa" nascida, espremida... tem mulher parida?
Ou caída do rabo dalgum cometa
Com certeza não é deste planeta!
Lapso de Deus?  Brincadeira dos anjos ou intromissão de Morfeu?
Veio do espaço, sem escala.  Falha na cabala?  Ou erro crasso,
dalgum sectário perverso, omisso ou devasso?
Não é um feto.  Não foi aborto nem é prematuro.
Um tiro no escuro!  Problema futuro...


.2.

Corria o ano de vinte e sete.
Tempo de crise... dinheiro pro óleo do candeeiro,
pro querosene da lamparina?  Nem pro espermacete!
Não acredito.  Um ato violento, maldito, profano...
Não estava escrito.  Não constava doplano.
Cria, guaxo mesquinho, girino mofino?
Destino?  Desatino, talvez.
Sem vaga, sem voz e sem vez.
("Que Deus me perdoe") ñao é bom freguês...
Sua mãe espantada, abismada, exclamou:
Intruso!  A sobrar parafusos... quem te chamou?
corpo estranho!  Das minhas entranhas, um erro tamanho...
Clandestino, pingente, inocente?
Escolho, de molho... trambolho, abr'olho!
Trangalho, espantalho.  Parece que alguém o esqueceu...
Em altas febres ardeu.   Nem meningite o abateu.
Não ensandeceu, mas recrudesceu... e deu no que deu!

Vida lambida!  Decaída, bandidda, vida dura...
Os sem-terra, os sem teto, sem afeto e sem ventura...
os príncipes!  Os bem-nascidos, eleitos... os escolhidos!
Uns poucos com muito, muitos outros com pouco
e outros tantos, sem nada.  É uma maçada!
É muita peçonha.  Na moita, inconhos... os sem-vergonha.
Orquestra funesta, tacanha, reversa, desafinada.
Medida fraudada?  Balança viciada, enjambrada?
Barbárie, insânia?  É uma cambada...
É o bubu de mãe-joana, putaria franciscana,
confiscado e explorado por sacanas.
Justiça comprada, manipulada... poxa!
Leis mochas, feitas em cima dos joelhos... nas coxas!
É a regra.  "Formal e cabal" - dizem eles - pra todos e por igual.
Surda e cega!  Não toma partido.  aos conluios, renega...
Aos ricos, pra garantir bens e ganhos, o código civil.  É natural.
Arre!  Pare de reclamar.  Fez-se igualdade, afinal.
Aos pobres, aos "duros"... a dureza!  As frias letras do código penal.


.3.

Sem cueiros, sem leite, sem pão,
Sem consciência e sem procedência.
Órfão.  Sem nome.  Com frio e com fome.
Escola?  Nem por esmola.
Contra-peso na contra-mão.  Dupla inflação...
Revel, que na igreja deserta entrou.
A porta estava aberta... Sacramentado ficou:
Batizado e confirmado, numa incerta...
Hóstia sagrada, salgada.  Ázimo azedo.  Agraço, fermento, levedo!
Violência... sem consulta e anuência.
Ouvindo o galo cantar, sem saber onde, errado pegou o bonde.
Aonde a bruxa se solta, o vento revolta e sua tia se esconde.
Lá nos cafundós... quem sabe?  No cu do conde...
Então?...  Paca tatu.  Cu...tia não!

Abandono!  Chimarrão:  mate amargo... rês fujona, cão bravio, sem dono,
Tererê, mate frio ou gelado, na cuia com bomba, servido, cevado.
Bezerro tucura, amargura... matungo, pilungo, solto no mato, no mundo...
Haja paciência!  Infante sem infância... não teria adolescência.
Assistência?  Irrelevância, incongruência.
Educação?  A formação, o caráter?  Mera especulação, pura dialética...
Falência dos quwe se arrogam aos dons da decência e da ética!

"Menino da rua", dos arruados... Baldoso, baldio.  Vicioso, vadio.  Menino danado!
Aguardente de cana, caninha?  Não bebia.  De graça não tinha.
Os bolsos?  Conas plenas de gozo, do uso do fumo. 
 A fumaça, o prazer, o perfume...
Castigo?  No peito o perigo.  A tosse, a febre, os sintomas.  Per la Madona!
Guimba, pucho, bagana.  Tocos, cotocos de cigarro.  O tabaco... Per Baco!
Lisos, com ponta, o luxo!  A marca, a lista... Yolanda, Regência, "Ascô", Odalisca.
Olinda, Sonia, Sudan, Sultões, Souza Cruz, Castelões...
E o bojo, o bucho?  Vazio.  Oco cartucho!  Murcho, à míngua.
Na boca, amargo sabor.  O enjôo.   O cuspe e a língua.
Na goela, nos dentes?  A nicotina e o sarro.  O pigarro, o escarro.
Aos barões, as honras e o LUCRO!  A fama e renome...
A valsa, os salões; o licor, os bombons.  Fina flor, rico sumo!
Pros desvalidos, a doença, o vício.  O horror, o consumo...
Como alívio e "consolo", anestesia da fome!


.4.

Suas Raízes?  No Rio Grande, no Uruguai, no sul, en la frontera...
A sorte... ironia é o teu nome!
Filho de Fausto e Doralina.  Neto de Felipe e Carolina.
Descendente do Comendador FAUSTINO CORRÊA.
Gentil-Homem, facundo... agraciado pelo imperador D. Pedro Segundo!

"O tempo passa, o tempo voa e numa boa, se escoa,
um novo tempo desponta e a gente não se dá conta..."
Um exemplo?  O carnaval!  Folia, orgia, entrevero, destempero...
Até quando vivia, já faziam seu enterro.
Hoje, depois, de morto, "cinzas", mofo, vulto estulto,
mesmo assim, celebram seu culto.
Finado, ultrapassado, ainda jaz, insepulto!
E o tempo que não dá tempo e não espera à ninguém.
Nem mesmo a quem tem!
Implacável, inabalável, passou e muita água rolou,
nas bicas, nos rios e nas fontes,
sobre as ruas e por debaixo das pontes...

Oh!  Tempo... velho tempo a fluir... O Futuro é o eterno povir.
Impassível, intangível.  Se vem se aparece, num átimo se desvanece.
Aí se faz o presnete.  Você nem o sente.  Segurá-lo,  retê-lo, não tente.
Ninguém é capaz.  Caprichoso, teimoso se esvai.  É fugaz...
O tempo... Não termina nem principia.  Nâo tem regra, não ouve a rogo, não adia.
Indiferente.  Não se explica, não justifica.  Nâo se desculpa, não permanece.
Então, o que resta?  O passado.  Nele está tudo contido, tudo contado!
O homem é a sua história.  Seus idos, o tempo perdido... encantado!

"Ora (direis) ouvir estrelas!  Certo/Perdeste o senso!"
(BILAC, um bardo e tanto, em destaque).
E eu?  Pobre "vate de araque", poetastro...
Que penso, que escrevo aos sopapos, a sofrer/engolir sapos?
Vale viver por viver?
Melhor é levar na flauta, como se fora argonauta...
Poeira no espaço a pairar, espeirecer...
Intuir... usar o sexto sentido.  Dar ouvidos aos astros!

Sapo-boi, sapo-concho, sapo-arú.
Sapo cornudo, -de-chifres, -jururu?...
Sapo-ferreiro, tanoeiro, -xuê-açú,
Sapoo-guerreiro, sapo-d'areia, xuê-guacú...


.5.

Atado ao ditado "cresça/apareça",
o cururu foi crescendo, "as manguinhas de fora, aparecendo..."
Idos de 37... em Campo Grande, sua sorte mudando, a sua teia tecendo.
Marmiteiro, jornaleiro.  Engraxate.  changas e biscates.
Enxadeiro, servente de pedreiro.  Do lixo.. garimpeiro!
Caçamba d'argamassa, às costas, "chorando baixinho", capinando sentado...
Guri de recados, mandados.  Que tempo àqueles... apertados!
Enfim, em 45, se abre o voluntariado.
Noutro dia, lá está ele:  recruta.  Soldado de Cavalaria.
Escolado, cabreiro... desajeitado, mas não conformado.
Recalcitrante, obstinado.  Nâo topou ser montado.
Ao se alistar, se propôs cavaleiro e não montaria!

Com a sustança da xepa, da bóia reiúna,
se levanta, se arruma, se apruma!
Aí, entendeu de ser Cabo!  Cabo de esquadra...
"O bom cabrito não berra".  Cão que morde, não ladra!
Com a cara e a coragem, foi à luta!  Entrou na disputa.
Mamãezada?  Filhotismo, marmelada?

Postulado falseado?  Arranjo mal-formulado?
O sapo, rejeito alijado, ficou enfezado.
Tomando as rédeas e o freio nos dentes, deu-se de presente,
o que lhe foi negado... usurpado!

Protege a mãe natureza.  (Com certeza)
Aos frágeis, aos faltos do siso (ou com pouco)
A criança, ao bêbado, ao louco...
Como também lhes ensina, os meandros das trilhas da mina!

Sob pressão e assustado, cometeu seus pecados.
Auto-recriminados e duramente expurgados.
Nisso não ficaria.  Não se pondo de bom-moço:  outros cometeria...
Livro em branco no prelo!  Alí inda era o prego.  Depois seria o martelo!
Sempre na oposição.  Insubmissão?  Insubordinação?
Por mais de uma vez "curtiria um xadrês"... a prisão.
Bem, isso já é outra história, nessa jornada inglória...
Afinal, não nasceu pra ser palma, muito menos palmatória.
Sem aulas e exames, pagou caro seus vexames.
"Colou, armou, aprontou... deitou e rolou, no tablado:
Sargento!  Terceiro... porinteiro, aprovado"
Se não for "nessa", perco esse trem...
- "Nâo tem xixi minha nêga, nem vem-cá meu bem".


.6.

Justiça começa em casa.  Mas firme, equilibrada.
É razão, é virtude.  É uma ação exaltada.
Sem arrimo, um menino!  Num instante, o bastante.
Momento adverso... fraudei, violei, infringí.  Me excedí, confesso.
Me desnudo, me exponho.  Disso não me envergonho.
Em, causa própria advogo, resolvo.  Me permito e absolvo.
Desespero?  Decepção?  Fruto do frusto... a não-realização.
Ilegal?  Sim, aos olhos da lei dessa rude sociedade tribal.
A força do instinto, auto-defesa.  Luta no deserto, direito líquido certo!
Culpado?  Em última instância, vítima das circunstâncias...

"Cesse tudo o que a Musa antiga canta!... (**)
"Mais mérito, não tem àquele que não cai, daquele que cai e se levanta"... (***)
"Quanto mais rezo, mais faço prece, mas sombração me aparece!"
Se à sério não me levas, mesqueces, não me ouves...
Pra seu governo, pouco mimporta.   Isso não voga, não me concerne.
Sou bom de trato, sou bom da telha.  "Não bebo na sua orelha".
Madeira de lei?  Não.  Pau-de-novato, mas de bom cerne,
que não verga.  Quebra mas não entorta!
Faca sem gume não corta.  "Quem tem horta não deve couve"...
De Galileu Galilei:  (da física, uma lei) - O mundo gira!  E girou ligeiro.
Em 49, ei-lo todo lampeiro, em pleno Rio de Janeiro!
Especial!  Em breve seria oficial.  Adventício!  só a cumprir interstícios...

Depois?  Foram tantas as andanças... e contradannças...
Cobra que não anda não cansa, mas não 'ngole sapo,
que não vai ao baile de cobras, que é muito de arrasto!
Todavia, por vias das dúvidas e da Bahia,
Sempre  ao encontro dos desencontros, sem nunca entregar os pontos...
Vinha a erva daninha, das bandas de Canavieiras,
outrora, canaviais do Vieiras... agora, extensas capoeiras.
Mundão!  Terrão de planta.  Imenso, variante.  Inculto, distante.
Dum lado, latifúndio inútil que não repercute.
Doutro, o capital alienante, aliciante que compra, que toma e seduz.
Monstro!  Envolvente, inclemente.  Ocupando, "secando", expulsando,
excluindo, "encobrindo":  os "kalyptos"... os domínios da ARACRUZ!


.7.

Eta mundo velho!  "Aberto, sem dono".  Aberração.  Mundo-cão...
Doideira... sem tranca, sem travanca, sem porteira.
Vasto mundo... ninguém sabe, onde começa, onde termina.
Se na cabeça, no coração ou no meio... entrepernas!
Disse o poeta, nele se nasce (se cresce e se vive) entre fezes e urina...
Mistura de odores, licores.. orgia de esperma!
Desassossego.  Cio no estio.  Calor que ruge, que brama, que exclama...
Brasa embaixo das cinzas.  Fera feraz... não hiberna!
Que o corpo governa e a mente domina...
Mundongo!  Quimbando, quimbundo... bunda de negra-mina!
Mundo besta, monturo!  Farsante, maçante, maciço... (e eu com isso?).
Girando, bebendo, sangrando!  Perdido no espaço profundo...
De-fi-ni-ti-va-men-te:  não é esse o meu mundo!
Eu vagabundo, ridico, assuntando e biritando (hic...) no buteco da esquina,
"cabisbundo e meditabaixo", nele não me encaixo...

Sem nível, sem prumo e sem rumo.
Dom Quixote, nativo, redivivo!
Sem lança, sem Dulcinéia, Rocinante e Sancho-Pança.
Andando a esmo, na urbe e no ermo.  Estafermo?
Farsante, errante, arrogante, tugindo e mugindo...
Fingindo e fugindo.  De quem?  De si mesmo!
Mau ator, estupor.  "Devagar com o andor,
que o santo é de barro.  Amigo, me dá um cigarro?
- De barro foi feito Adão.  Amigo não tenho não!"

Supondo que sou, que estou, que existo (e nisto eu insisto).
Pedra rolado, sem limo, lastimo!
Na estrada empedrada, avariada, arrasada...
Pau-de-arara, pau-mandado, pau-rodado, pau-lascado.
Pau-d'água, pau-canoa, pau-de-fumo, "pau-furado", pau-á-toa.
Pau-doce, de-sebo, "de-fogo", "de-santo"!  Pau-que-canta...
Mas não encanta nem entoa!
Pau-d'óleo, pau-d'arco, qui encarco...
Pau-d'alho, de-malho, d'orvalho, car...valho!
Desculpem.  Ato-falho.
Andorinha sem ninho.  Chupim, estominho?
Adega?  Bodega sem vinho?  Escarninho...
Corvo na chuva, num galho, sem luva e sem agasalho.
"Casa?  Pra que casa?  Eu tenho minh'asas!"


.8.

Cigano, andarilho, vagando sem trilho, qual "cego no escuro,
em meio a noite de tiroteio".  Jangada desamarrada, desgovernada...
Escuna na espuma, à deriva, se esquiva em busca de Porto Seguro.
Devaneios?  Eu creio.  Siri undivago... na onda, se esconda.
Arraia-pintada, arraiada, arraia-mijona, menstruada, graúda.
Rabo-de-arraia na praia.  Peixão, rabo-de-saia...
Peixe-anjo, peixe-diabo, peixe-mulher, peixe-frade, peixe-soldade.
Sereia, peixe-d'areia, cação, calamar, barracuda...
Valei-me Nossa Senhora d'Ajuda!
Caluda, suspenda a saia e a sacuda.

Pulando, coaxando, eis-me no limiar de Trancoso!
Sinuoso, reimoso, viscoso, vicioso?  Ocioso, faomso e teimoso.
Vis-a-vis... não acreditei e creditei no que não vi...
Súcubo insinuante, interessante.  Paixão platônica, uma amante!
Linda é a paisagem!  Mas diga-se de passagem:
Foi virgem, foi bela.  Um imago... uma aquarela!
Hoje?  Mazela!  Sobrevive do nome.  De sequelas e remelas.
Órfão dos Jesuítas.  Autista!  Bastardo de Cabral.  Tal qual!
Testemunhas?  Pero Vaz de Caminha, sua cartinha,
i aqueloutro gajo... u du monte, u Pascual!
Isto pode, do turismo ser um ardil,
mas dizem eles: - Oh! Pá... cá nasceu o Brasil.

Suas praias, agora ocupadas.  Encardidas, manchadas.  Privadas?!
Fezes, lixo, detritos... resquícios.  vestígios do mal praticado.
Magina!  Cloaca, sentina?  Cafofo, latrina... retreta?
Disparate.  Cê tá pensando que dona Tomázia é tomate?
... Que cú de galinha é gaveta?
As orlas de acesso, dalgum tempo cercadas.
Griladas.  negociadas, Locadas...
Passagens atalhos, naturos-trajetos fechados.  Dificultados...
Guardas armados, cães irados.  Semodagem, sacanagem!
"Coisa-má", nojenta, ilegal e mesquinha.
Praias e faixas vizinhas, são áreas de marinha.
Não são de ninguém.  São de todos!
Livres ao uso e gozo do povo.  Que a ele não haja estorvo.
Sem ônus, sem nó, sem baraços.  É rotina, é a praxe.  Nisso nada de novo.
Não é favor de parentes.  É lei em vigor... ainda vigente!


.9.

Nesse conflito, fica o caboclo, restrito,
vexado, aflito.   Quem pula cerca é cabrito!
Cholo, choldra.  Cafumango sem rango e sem ego... Tarrenego!
Posseiro sem posse.  Teu legado é a tosse.
Corcoroca na loca.  Curiboca na toca.
Arredio, furtivo, tardio.  Sempre a ver navios...
Nulo.  Sem cidadania.  Cassado?  Não.  Castrado!
Sem respaldo.  Teu lugar é  na fila do "aguardo".
Direitos estreitos.  Rasados, rascados, rasgados...
O que fazer?  Partir migrar, se evadir?
Trasgo, traçado, taça amarga, ruim de tragar.
Mata-bicho, bagaceira, saideira.  Dura de engolir.
Trágico jantarado.  "Comer fogo e beber salgado...
O pão que o diabo amassou com o rabo"
e com seu mijo regado.  Comezaina, festim regalado!

O mar de antanho!  soberbo!  Colosso tamanho...
Poluído, depravado.  Agravado, agredido.
Rios, lagos, mangues aterrados.  Sufocados...
E os esteiros?  O teu terreiro, o teu pesqueiro,
tua colheita, o teu pescado?  Tudo gorado!  Atentados...
Saqueio, pilhagem, o butim... de te afanar, 'stão a fim.
Arresto, sequestro?  Um ato canho, sinistro, canhestro.
"Estrias", estrilos?  tu és o grilo.  Tu és a caça...
Pragana sem grana, sem graça e sem raça.
Choça, palhoça, sem arestas nem frestas...
ELES?  Os senhores.  Os caçadores...  Os grileiros!
Os /'nabados"!  Dos seus capangas, te cuides ou levas chumbo no rabo!
Posudos, sortudos.  Se arvoram à posse, ao uso de tudo.
Coisas e loisas... se acalmam, se acamam.  Se deitam, se armam.
Se lavam, se contam e se passam.  Se ajeitam...
O corpo, alma, o caráter, a roupa e a louça.
A moral, os valores.  Até mesmo o dinheiro.
Falsários, trapaceiros.  fossem ao menos tintureiros...
Pífios, reles.  São apenas LAVADEIROS!


.10.

Destituídos, desprovidos.  Sem legitimidade, sem dignidade,
escória, restolho, a ralé... o refugo da sociedade...
Audácia do índio, do puto!  Refuto...
Querer ser a corte, querer ser cidade?
Cidadela?  Se muito tresidela e, sem querela!
Olha só o maroto!  O que ele pretende?  Distúrbios?  Dos nervos, a guerra?
Nada não.  Só o resgaste do amor-próprio ferido.  O orgulho perdido...
Sem esperança, à herança, à posse da terra,
pondo um fim a esse estado, de esbulho consentido.
Digo e endosso:  "Calma na América que o Brasil é nosso!"
Eta, moleque atrevido!  Alienado, isolado, descrente.
Eta nativo porreta!  Ousado, retado, insolente!

O astral do povo é festeiro.  Braços dados com o forasteiro.
Tem forró, capoeira, rodeio e entremeio, passeios.
que o digam, taxistas e motoqueiros...
Rio da barra.  Nativos, Rio Verde, Coqueiros...
Salve os praieiros!
Falam muito.  Bebem mais que o funil.  Por isso estão sempre à mil...
São umas e outras.  É capeta, é coquinho, é goró.
Nisso não ficam só.  Entornam toda a cerveja,
mas em matéria de transa, não ficam no "ora... veja!"
Seja dia, seja noite, transam tudo.  É num açoite!
Quando se juntam num acocho, "no meio o diabo morre de arrocho!

Gente fina, "gente boa", gente importante, imponente, óxente!
Trabalhador, pescador, construtor, comerciante.
Branco, negro, índio, mulado, cafuso, mestiços, todos castiços!
Trancoso é eclético.  É cosmopolita - falando, ninguém acredita -
É a democracia!  "Oiiiaaá... ispiaaá"...
Castelhano, italiano, francês, português, holalndês.
Polaco, eslovaco.  "Cossaco" ... malaio, "malaco"!
Arábio, judei, suísso, alemão, chinês.  Tem até japonês!
Galego, labrego.. só gringos na aldeia
Não está no "gibi" o que tem de estrangeiro...
Paraguaio, uruguaio, argentino, latinos... eu nem mais atino...
Nordestino, baiano?  "Escorre pelo cano e pela areia".
Hom'essa!  Nessa travessa, tem até brasileiro!
De arteiro e treteiro, o inferno está cheio.


.11.

São coisas do coração.  Nem todo mundo é pagão...
Nem todo mundo é igual.  Em tudo há sempre a exceção.
Puxar fumo?  Um baseado?  Ora, deixa isso de lado.
É só pra fazer a cabeça... Só um poco, Oh! Loco...,
Diachos!  Ninguém tá no tacho, ninguém tá no toco.
Cheiro?   Só das nativas.  Muito vivas, sempre na ativa...
É cuspo na língua, saliva no ouvido e na dança.  Festança!
Depois?  A realidade.  Os três cês mais comuns na cidade:
Coco, cachorro e criança... "abundança"!
Nisso não há desengano.  Onde abunda, não falta pano...

Sem ferir os brios de pios e gentios;
Há gays à escoteira.  Sem mistura, sem bagagem, sem esteira...
´Também os há cumpliciados.  Parceiros, ligados.  "Bens semoventes"...
União afetiva.  Uma alternativa, incandescente!
Cada um, a seu turno, a seu tino, pode fazer seu destino.
É um questão de gametas!  Nisso não se intrometa.  Cuidado!
Terreno minado.  Curto-circuito-fechado!

Boiola?  Rebola e passa a sacola...
Baitôlas, solidários com o IBAMA.  Guardem as rolas... na cama!
Tem Hippies, camelôs, ambulantes... tem até "trafegantes"...
Gigolos, cafetões, prostitutas.  Todos eles na luta.
Como em toda parte:  o prazer, o lucro e a arte!
Serviço completo.  O trivial à minuta e a la carte.
Mas nessa peixada ainda tem espada... espadarte!
Gente seria, também!  Respeito é bom e convém.
Gregos e espartanos.  Libertinos e puritanos...
"Tutte buona genti"... amém.

Tem artistas-exclusivistas, excursionistas.
Tem de tudo nessa salada mesclada.  Tem até turistas!
É genial!  Aqui (como alí) toda gente "se casa" (ou se alia)
"Formiga quando quer se perder, cria asa"... e procria!
O corpo é território pessoal.  É sagrado,
- Dizem eles - Seu, direitos, cuidados...
Cada um leva a seu jeito, cada um tem o seu lado.
É João e Maria, João com João e Maria com Maria.
"Casar não é casaca"... não é mole.  É bem mais do que isso.
É um caso sério!  Formal e solene.  É um compromisso.


.12.

Sábio é quem ouve e não esquece.  Povo que padece,
tem aquilo que merece.  Isso aqui não acontece.
O povo é cordial e tem civilidade.
Por isso é feliz, com suas "otoridades".
Consistentes.  Muitos eficientes.  Sempre presentes.
Saúde, ensino, esporte e lazer?  Tudo de escol!
Na justiça?  Não tem atrito.  "Não tem mosquito",
Nem marimbondo!  "Desce tudo redondo"...
Urbanismo, paisagismo?  Querer mais, é masoquismo.
A cultura do povo?  Excelente!  Excedente...
É só na TV:  Polícia/ladrão, Gugu e Faustão.
E tome futebol!

Nesse relato, não seise exato.
Da minha mente, presnete, consciente, é um extrato.
Nele não poderia omitir o mirante,
Altivo, grandioso.  Reinante, predominante!
Miragem!  Imagem dessas paragens.
A noite, as estrelas... flutuantes, luzeiros distantes.
Reticências brilhantes... fluindo, luzindo no espaço irrestrito.
Um convite a cismar, a sonhar, a sondar o infinito.

Estaria eu, fora de uso, de fuso ou de esquadro,
Se não mencionasse o "quadrado",
que da igreja é a moldura.  É o quadro, é o adro!
Quadrante dos bons pratos, dos bons goles... dos bons papos!
Dos eventos, da arte.  O lazer, bons momentos...
Os folguedos, as fofocas... os festejos...
A amizade, a carícia, o namoro, a malícia... o desejo!
Não esqueçam, entretanto, os detentores e ocupantes
desse mágico recanto - sem enfado ou espanto -
carinho... jeitinho com os humildes, com os deserdados.
O quadrado é comum.  É de todos.  Não é privado!
Aquilo que hoje é nobre, já foi morada de pobre...
Escravos é que habitavam, os quadrados!


.14.

Mas isso tudo é passado.  Está encerrada essa peça.
Voltemos ao que hoje interessa.
São laços indissolúveis, inseparáveis.  Parece premeditado.
Sem o quadrado não há Trancoso.
Sem Trancoso, não há o quadrado.
Trancoso é gostoso.  É misto.  Mistura de boa textura.
Angu-à-baiana que a ninguém engana.
Surreal!  Cadinho de raças, de vozes... miscelânea total!
Todos se entendem.  Não é uma Babel.
Mas é um caldeirão e tem confusão.
Não sei se a razão dos sentidos ou dos sentidos a razão!

Como dito de passagem - Linda é a paisagem...
Volvendo à vaca-fria, como antes dizia, ao assunto.
Teorias?  Ou bestagem, só pra ocupar o bestunto?
Extasiado, ancioso, de volta ao portal de Trancoso.
Estranha atração!  Empatia?  Triagem, escolha?  Junção ou separação?
Envolvimento?  Cruel busca no existencial, no pensamento?
O desconhecido... O transporte da alma no espaço e no tempo?
A transmigração?  Nos limites, na forma, a quarta dimensão?
Dolorosa interrogação...  Enigmas sem solução.
Excede, transcede o bom senso, a compreensão.
Pensando, pesando bem... "folgadura de pouca dura"... abstração.
Asneira...  bobeira...  Fechando o postigo de mim pra comigo:
- Aqui fico.  Eis meu lar, meu abrigo.
Eu agnóstico, pernóstico, "ateu"?
Queria partir, sumir, me "trocar"... deixar de ser eu!
Comunista, anarquista, com outros micos na lista...
Viajor de error, que horror!  Bagulho, entulho na pista.
Espasmo, sarcasmo... um miasma, um fantasma!

Impudente, imprudente - não é coisa de gente!
É um caradura.  Ninguém na escuta?  Ninguém o segura?
Onde estão "oshome", a polícia, a perícia?
Viatura, camburão, rabecão... a cana-dura?
cana-verde, cana-branca, cana-roxa.... na moenda ou nas coxas!
Cana-de-açucar, cana-caiana, cana-do-leme, canada... baiana!
Cana-brava, do-brejo, do-mato, de-índio, cana-de-braço.
Can... nabis sativa, cativa, cama-de-gato.  Canalha, gentalha...
Canaço... no fim do espinhaço!


.15.

Divagando, ousando, blefando.  Até quando?  Ironisando... mais rindo que chorando.
Quem sou?  Um ser, um ente?  Uma sombra, um apreço ou mero adereço?
Donde vim?  Não me lembro.  Perdi o endereço.
Pra que vim?  Pra ver, pra sentir... pra entender?
Pra onde vou?  Não sei.  Talvez pra esquecer.
Ninguém tudo pode.  Ninguém sabe muito.
Saber é conhecer seus limites...
É saber que não sabe, é ter um intuito.
Saber onde habito.  O meu barco, onde puito.
Meu interior oculto... meu alter ego eu ausculto.
Trafego, navego, consulto...

Você caminheiro constante, fiel circunstante,
Ativo, atencioso, incansável me assiste.
Quer saber em que isso tudo consiste?
Essa busca contínua, voraz, incessante...
Digo-lhe sem atropelo, com segurança e desvelo:
Não é um doce sonho - é um pesadelo!
Proponho:  Nâo isque, não cisque nem trisque.
O ideal é um fluido, um gás, uma chama que nos engana e persiste.
É fantasia.  É espera, é quimera: o ideal não existe!

Dou tratos à bola... à imaginação...
Minha cachola, não é porta-cartola.
Dela vem a razão e a inspiração.
Sem trelho ou trabelho... trabalho.
Em busca do atalho, me espalho.
É a ida, a pinguela, a saída?
É a fuga?  Afinal é a partida?
Minha pilha está gasta.  A validade vencida!
... assim falou o Jacó:  - Não sou jacu, macuco ou socó.
De etanto fazer afagos, o nhanbú ficou sem o rabo!
Não sou o Jacinto.  digo tudo o que sinto.
Nem me chamo Raimundo...
Eta merde vida!  Fu... undida
Eta porra de mundo!  Rotundo...
Terceiros, sem fundos.. desbunde, chibungo.


.16.

A quem interessar possa:
- Abro mão dessa joça...
Cedo minha parte.
Meu eito, meu leito, os direitos...
Alguém na tocaia?  Alguém à espreita?
É tudo de graça!  Ergo minha taça! Lhes rendo esse preito.
Pago ao cartório, à receita, ao erário.
Selos, impostos, emolumentos, multas, gravames... infames!
É a postura, o sistema, a estrutura... líquido a fatura.
Sigo o itinerário.  É o dever do otário.
Sem mais reclamos, dou-me por satisfeito.
E destarte,
para que a lei, se produzam os esperados efeitos,
lavrou-se, um termo, que vai por mim assinado
e pelos interessados, justos e contratados.
Assim, num ato solene, concluso e perfeito
transmito posse e escritura.
Façam melhor uso.  Tenham bom proveito.

A vida é um transporte.  ada qual à sua sorte.
O percurso, os limites?  A origem e a morte.
Desigual, alcoviteira, dos enjeitados, rodeira... um pé no saco, uma rasteira!
É mãe dos "primeiros".  Dos "segundos", madrasta.
Com os "terceiros", se agasta, contrasta...
Inda bem que é real, rotineiro.
"Salvo o cobrador e o condutor, tudo o mais é passsageiro!"
Viver a vida!  Não vivi.  Muito cedo, com medo, à segui.
Fui quase aos extremos, aos confins...
Por ela passei.  Ela, nunca passou por mim.
Não fez fé.  Não sabe quem sou.  Eu sei quem ela é:
Messalina!  Lasciva, dissoluta, uma... dama do cabaré!

Poema livre.  Escritos sem regra, sem trato ou esquema.
vário, informal.  Versos soltos, revoltos...
Cordel, improviso.  Repente, medito a gente!
Momentos!  Da alma, os tormentos... Palavras, folhas ao vento...
Rimas alternadas, coroadas, interpoladas.
Encadeadas, cruzadas, emparelhadas.
Toantes, pobres e.... destoantes.
Como minha vida desordenada,
Irregular, inconstante, cansada...


.17.

Alguém disse que a tudo me oponho.  Que sou "do contra".
Sou arteiro... não artista, mas tenho pontos de vista.
Faço uso dos sentidos.  Não me emprenham pros ouvidos...
Não vejo com olhos alheios.  Não durmo em toca de lontra!
Não sei se sou boa coisa ou não presto...
Mas até prova em contrário, a tudo contesto!

Louco-brado!  "Peido-do-meio", asfixiado, desatinado...
Bolado, gestado, forjado, datado e assinado:
"lavado", lavrado e passado em TRANCOSO.
Em dúvida, luta/disputa, contendas/demandas,
É eleito e fica nomeado o seu foro.  Desaforo!

Aviso aos navegantes, aos desavisados e aos indecisos:
Como no verso e na rima, em que determina e não destoa,
o Fernando (Antônio Nogueira) Pessoa:
"Navegar é preciso... viver não é preciso"
Este escrevinhador não se responsabiliza nem indeniza,
Por ditos, por chistes e por tudo aquilo que ironiza...
Que venham a causar, mal-estar, confusão...
Tira o "seu" da reta, alegando - não teve a intensão...
Terá sido talvez, por obra o acaso ou daquela velha excrescência,
tida e havida, por mera coincidência!

Sul da Bahia, 05 de Outubro de 2006.

Fausto Silvério Corrêa.





(*) Do tupi-guarani:  sapo vermelho
(Na grafia original Kuru'ru)
(**) Luis de Camões
(***) Confúcio